8 de nov de 2006

o Rio de Janeiro continua lindo...

mas trabalhar com moda?? é PUNK
vejo pelo site meter 1 monte de visitantes do Rio de Janeiro, fico curiosa... gostaria de saber se estão trabalhando diretamente com moda ou sonham trabalhar com moda?? Minha visão atual sobre a cidade do Rio de Janeiro e este segmento é de presenciar um kaos completo... ando nos shoppings e acho assustador o aprontamento das lojas... vitrines abandonadas, uma desordem interna que reflete o que devem ser as empresas...
A falta de harmonia na organização dos produtos expostos, equipes comerciais mal preparadas, erros graves de iluminação... uma cópia geral do estilo "espaço fashion" uns com um pouco mais de qualidade outros não, o uso enorme do viscolycra... que horror!!! e a grande maioria das empresas o dono é o Deus que cria tudo em 7 dias, contrata assistentes sem experiência com salários baixíssimos, controla todos os processos no lápis, computador?? ele fica á distância... será que estou errada??
Todas as empresas que pesquisei e/ou fui entrevistada, fiquei tão pasma com a falta de processos que ficaria muito feliz se eu prestasse consultoria apenas para acertar estes processos... o que não falta são estilistas criativos... mas como eles trabalham??? sem poder viajar ou pesquisar novas fibras e tecidos, sem conhecimento técnico para desenvolvimento de modelagem, vi desenhos e croquis belíssimos ( à mão) que não equivalem ao produto final, normalmente, desconfigurados pela modelagem ou produção. Vcs sabiam que muitas das empresas restringem a equipe de produto acesso a internet??
Raros estilistas conseguem fazer desenhos no computador?? também raros os que conhecem tecidos... caimentos... então que resultado podemos esperar da moda carioca?? Acho tudo alarmante. Desde que cheguei no Rio, me senti a margem. Pensei que 20 anos de experiência, com histórico profissional de resultados em SP, eu conseguiria contribuir para moda local... enfim trabalhei na Chreemtex (importadora de tecidos de luxo), depois montei a santamistura na hora errada e me descapitalizei, ao mesmo tempo que me dediquei, tempo integral à Universiade Estácio de Sá, onde fazia pesquisa sobre novos produtos de educação para área de moda, e lá se foram mais 2 anos que viraram pó, projetos e projetos, inclusive do que seria o primeiro blog de 1 universidade no Brasil, hoje uma nau abandonada... e cá estou de cabeça pra baixo, viciada em informação, tocando o blog, afastada da minha área de atuação por uma série de fatores... salário, idade e 1 conhecimento que me exclui do mercado de trabalho no segmento de moda no Rio .. acreditem se quiser!!! a ultima empresa que fui entrevistada a dias atrás falou que apesar dele ser um grande distribuidor de tecidos para as empresas de moda/Rio, pelo meu CV ele acha que me afastei da moda. Será?? e o blog?? o que é o blog da santamistura??
meu pai me dizia que eu tinha que ser a melhor no que fazia, minha meta sempre foi pesquisar e desenvolver novos produtos ... fazem 25 anos... tá tudo errado!!! Meu pai não sabia o que se tornaria esta cidade cheia de garotinhos, rosinhas e maiassssssss
Várias pessoas me escrevem e-mails pedindo para dizer o caminho das pedras... e o caminho é de pedras??
Enfim, trabalhar, hoje free, como ilustradora me resgata como designer mas presenciar uma massa de novos estilistas, não formados para o mercado de trabalho, ver 1 investimento absurdo dos empresários em produtos que são ou viram 1 lixo nas lojas... estes gaps e abandonos entre moda e consumidor... Socorro!!! para o mundo que eu quero descer!!! então minha única e sincera contribuição é este blog, que ele cresça muito, que ajude aos pesquisadores e profissionais encontrarem novas direções para pesquisa e já que o "sistema" não dá estrutura.. agente inventa : ))
E infelizmente eu vou diminuir meu ritmo de posts porque vivo da produção das ilustrações ... mas não será uma nau abandonada jamais ; ))

23 comentários:

Laura disse...

Patrícia, parabéns pelo post! Recentemente em um trabalho que fiz detectei que o mercado de trabalho de moda é uma coisa bem desorganizada. Ao mesmo tempo que profissionais competentes estão sem emprego, o mercado busca profissionais para áreas tida como menos glamurosas (chão de fábrica como chamam). Essa coisa de idade e currículo é um absurdo!!!

E vejo que o mercado de moda engatinha ainda... sinceramente vejo ainda um processo longo. As empresas adotam a política de apagar o fogo e não investir para que o incendio não aconteça mais. É tão comum empresas, não só de moda, gastando um monte de dinheiro em imagem, pouco em qualidade de produto e processo de produção, além claro de tratar os funcionários como lixo. Muito triste.

Siga com seu blog, acredito que seja o melhor portifólio de todos. Sua dedicação é incrível não diminua os ritmos de posts não... =)!!! Fico na torcida.

Mrs. Medé disse...

Olá, Patrícia! Tudo bem?
Meu nome é Thaice Medeiros, 24 e sou estilista formada pelo Cetiqt há 4 anos.
Adorei ler esse post! Vc tem razão... tá tudo errado, o que realmente é uma pena! Estou muito triste com a minha profissao, me afastando cada vez mais, devido a toda essa bagunça e às pessimas condiçoes de trabalho. Estou sempre buscando informaçao, novidades, etc, mas parece que as empresas estão sempre fechadas à melhorias e coisas novas. É impressionante como um mercado tão rico está se tornando cada vez mais medíocre e bitolado! Estou frustrada!

Lino Resende disse...

Fiquei impressionado com o que eu não sei, em se tratando de moda e de sua apresentação.
Se no Rio é o kaos, como assinalou, imagina o que não deve estar acontecendo aqui, no Espírito Santo.
Nem quero imaginar.
Mas seu texto é bem esclarecedor.

santa mistura disse...

laura o rapaz que importa os tecidos, da entrevista, tem parte da coleção breguíssima... mas não há o que fazer... o negócio é mesmo que tenho que olhar pra frente sempre, eu assisti de camarote o mercado e o capital mudar de mãos nos anos 80, nos anos 90 o crescimento das empreas que tinham foco em produto que foi onde cresci, e de volta ao rio a impressaõ que tenho que aqui está como os anos 80 foi para SP, o capital vai mudar de mãos para empresas com perfil mais arrojado e de bem com o futuro e novas tecnologias... não é mesmo?

santa mistura disse...

medé vc vê? a graduação do cetiq para mim é a que melhor prepara tecnicamente para o desenvolvimento de produto/produção aqui no rio.... mas se os atuais empresários acham que o que eles sabem já é o suficiente para "ganhar dinheiro";;; deixa eles ... doce ilusão temporária

santa mistura disse...

lino o esperito do santo e outros grandes estados não tem a impáfia de se colocarem na posição de criadores de moda, então a descontração das instalações/ou atendimento não chocam como vc andar poraqui num barra shopping que qualquer lojeca paga 10mil reais por mes para estar lá... e não conseguem ser atraentes ao público... nem por imagem, nem por produto, nem por preço... os seja nem por um decreto... a grande maioria sobrevive ou está com a operação negativa... e consumidor não faltaaaaaaa 1 comercio esquizofrenico.... imagina que é uma coisa quando de fato é outra... rsrsrs

marcia bittencourt disse...

infelizmente o que você escreveu não é exclusividade do rj. moro em salvador e vejo aqui exatamente o quadro que você traçou.

fiz um master no instituto europeu em barcelona com mais duas amigas, voltamos para salvador cheias de sonhos e projetos, mas elas tiveram que optar, ou trabalhavam ou moravam aqui. hoje as duas moram em são paulo pela total falta de oportunidade em salvador. só continuei aqui porque, além de ter marca própria, entrei na área acadêmica, cheia de esperança em mudar alguma coisa e fazer a minha parte.

falta informação, faltam oportunidades, falta muita coisa.

:/

santa mistura disse...

marcia quando falo com minhas amigas de SP eles me perguntam o que estou fazendo por aqui, porque lá não falta trabalho... realmente SP é outro brasil... mas meus filhos adoram a praia, surf e no fim meus irmãos moram por aqui também, então marcia estou fazendo as ilustrações, e como começar uma carreira nova aos 46 anos ;)) imagino mesmo marcia que ai também devem existir várias dificuldades, no entanto,acho a bahia muito mais preocupada com informação e cultura que o rio... meus primos e tios que moram em salvador tem um vocabulário impecável, aliás o nordeste todo não?? ou pelo menos as capitais que conheci... joão pessoa e recife

carla lemos disse...

Muito a dizer.

Bom, não posso falar como um todo, mas acho q tenho experiência com uma boa parcela desse mundinho "fashion".
Tudo é muito mambembe mesmo. Demais. Pq essas pessoas geralmente, caem de pára-quedas nesse mundo pq alguém na família, seja pai, mãe ou avó criava, costurava e vendia. Por mais que as proporções fossem outras. Por mais que o mundo fosse outro. Então, todo mundo pensa que pode começar assim. E acaba se acomodando.
Mas, muitas vezes, o que falta a eles é alguém que bata na porta deles e diga: Ei! Eu faço isso. Isso vai ser bom pra vc por causa disso, disso e disso. Me liga.
Alguns nem vão te dar atenção. Outros, vão gostar da sua idéia, acreditar em vc e tocar um projeto, mas a GRANDE maioria vai te ouvir, dizer q não pode, mas vai começar a pensar naquilo que vc ofereceu.
Eu sei disso, pq tô começando uma empresa de comunicação de Moda. E acontece exatamente isso com a gente.

Outra coisa é a localização. Existe a Moda que acontece na Zona Sul. Mas, a moda de subúrbio e baixada ninguém lembra, ninguém quer. As estudantes de Moda só pensam em trabalhar na FARM e na EF. Tenho um cliente com 9 lojas no Estado e que não conseguia contratar nenhuma estagiária, pq ninguém queria trabalhar em Belford Roxo. E era bem na entrada da Brasil!!! Com outra cliente, ela contratou 2 estagiários e eles não tinham a menor noção do que é a moda. A moda comercial, ágil, dinâmica. Ela precisava de blusas e eles tiravam modelos de trabalho-de-final-de-período sem a menor preocupação com as tendências, sem conhecimento de desenvolvimento de modelagem ou variações de tecidos. Eu que cheguei a cursar 2 perídos de Moda na Estácio e fiz 3 monografias nota 10, me pergunto a cada dia que tipo de profissional essas faculdades estão formando.
Os clientes se encantam comigo, exatamente, por eu ser uma menina nova, que se veste de forma "fashion" que conhece a moda num todo, mas consegue vê-la de modo comercial. Sabendo o que funciona ou não pra eles. Aí eu vejo que eles tem sim, uma preocupação em ter modelos legais, diferentes. Mas, o que muita gente não entende é que fazer moda pras classes BC, e por vezes, D não é menos merecedor. Esses clientes querem sim, se vestir bem. Gostam sim de andar na moda. Consomem, nas devidas proporções, tanto quanto a cliente FARM ou EF.
E ficam várias estudantezinhas de Moda reclamando que não tem mercado, que está saturado, que tudo na Moda é na base do QI. Mas, ninguém procura outros nichos de mercado. Ninguém procura fazer o diferente.
Aí, o que acontece?? Quem monta vitrine são os gerentes. Quem faz a montagem da loja é o mestre-de-obras, juntamente com o dono, ou algum pseudo-designer de interiores que não passa da criatura que descobriu aí um jeito de se dar bem. Pq não tem arquiteto bom que monte um escritório em São Cristóvão, Rio Comprido, ou até mesmo na Baixada.
E, principalmente, a culpa maior dessa zona toda são os próprios consumidores que se sujeitam a comprar qq coisa só pq é baratinho. E usam e abusam de peças descartáveis compradas em feirinhas, só pra bater.
E com essa concorrência feroz tem sim, muita gente querendo se diferenciar. Sinceramente, gostaria muito que houvesse uma oferta maior de profissionais interessadas nesse mercado. Pq, no momento que um faz, os outros correm atrás.

Um beijo,

Anônimo disse...

Virgínia said...
Patrícia, concordo plenamente com vc. Mesmo nao tenho feito moda e sim desenho industrial sinto um problema similar no mercado de Brasília. As pessoas nao valorizam os profissionais da área de criaçao. Durante a faculdade sempre acreditei que era importante ser bom, mas aqui no mercado muito do que vale não é vc ser bom...mas quem vc conhece......É revoltante, ainda trabalhando como free também tenho me deparado com jornalistas e publicitários que fazem o possivel para passarem a perna em cima dos designers........muitas vezes a vontade que dá é jogar tudo pro alto. O seu blog é um sopro de alegria no meio desse turbilhao, continue porque o seu trabalho é muito bom, conheci milhares de sites de estampas e craft a partir dos seus posts e muitas das referencias do meu trabalho final sairam daqui...a propósito vou mandar até um e-mail para te mostrar como ficou =] Eu acho que vc podia pensar até numa versão impressa do santa mistura quem sabe....eu compraria com certeza!!! Uma outra idéia que tentei trazer para a UnB, era um curso de extensão sobre estampas, cheguei ate a contactar o pessoal do studio cream crackers de um post que vc tb publicou....mas a pessoa que ia dar o curso nao tinha disponibilidade, vc nao tem interesse em oferecer esse curso aqui na UnB?

santa mistura disse...

Carla entendo tudo que vc falou e concordo completamente ; )) bem a experiência que tive na Estácio poderia ter sido ótima para a rea de moda se a Silvia helena não tivesse preguiça de entrar com as novas ementas no MEC, mas desde o início ela não gostou da minha contratação, que era justamente para aproximar a formação da área de moda com o mercado.... Carla foram tantos projetos que ela barrou.... uma tecitéca, uma série de publicações técnicas para moda como modelagem, desenvolver parcerias mais estreitas com as marcas para aumentarem a oferta de estágios... a única coisa que saiu do papel fou as participações do fashion rio... o resto virou pó o que era bom para Silvia era vender um pacote de passagens para alunos irem com ela a Londres e ela, com o faturamento, pagava umas ferias na Europa... fiquei super indignada... montei o blog ela brecou por achar que não era importante exopor os alunos e ela montou o blog dela... uma decepção total
em SP eu trabalhei para marcas a beira de um abismo de dividas e revertia o quadro em um ano, como a tng, clubcolors entre outras, então o mercado vinha atrás de mim, porque eu não queria me destacar como estilista e sim fazer o negócio dar dinheiro visivelmente... como gerente de negócios trabalhei 15 anos e ai resolvi voltar pra cá, meio a um divorcio voltei pra terrinha... e não acontece nada mais. Então este blog é uma "catartaze" da minha experiência em moda rsrsrs aqui vem posto tudo, os links vitais para pesquisa, para ajudar a quem precisa urgente encontrar em algum lugar informação gratuita, as vezes escrevo sobre uma tendência que não tenho visto ser destacada mas percebo como sendo e as vezes falo de minhas impressões e angustias ... mas no geral tento ser otimista ;)) em sampa todo mundo queria também trabalhar para classe A eu me especializei na classe média (B hoje em dia C ;)) o mercado popular acho super difícil trabalhar por causa das limitações de matéria prima acabamento etc e tal, mas a classe B?C precisa de ajuda urgente... concordo com vc

carla lemos disse...

Eu estudei lá e sei o que vc está dizendo. Caramba, a Estácio com todo seu porte poderia fazer uma escola de MODA Premium. Mas, como tudo naquela Universidade, as coisas ficam sempre barradas no comodismo. Eles não se preocupam nem um pouco com a qualidade do ensino. Nossa, o curso de Moda era frustante demais. Eu me desencantei com Moda lá. Só meu recuperei 2 anos depois.
E, sabe, eu vejo tanta, mas tanta gente procurando informação. Tenho clientes que estão o tempo todo atrás de cursos, palestras... Mas, eles muitas vezes não acham nada que seja voltado pra eles. Que tenha o foco mais comercial. Alguns nem conseguem "captar" as mensagens da Renata Abranchs. Preferem pegar tudo mastigado dos fornecedores deles. Eu tenho uns projetos pra dar acesso a informação de moda para esse público. Um jornalzinho, uma revista... Não sei. Mas, algo que mostre as tendências, mostre novas fibras, mas sempre dizendo e explicando pq aquilo é bom pra ele. E abrangindo não só no estilo, mas no atendimento, montagem de lojas, de vitrine, mix de produtos. Quase uma consultoria. Mostrando o que está sendo feito no mundo de interessante. Mostrando Cases de outras marcas. A própria Espaço Fashion, tá mudando muito. Tá se sofisticando. O catálogo está lindamente produzido, o site muito melhor. E esses clientes se espelham nessas marcas, não só nas roupas, mas tb no que eles tão fazendo.
Realmente, a moda está estagnada. Vc anda pelas subúrbios e pela baixada seja nas lojas de rua, shoppings, galerias ou feiras, e tá todo mundo com os mesmos modelos da empresa de modelagem do Pólo Têxtil. Todo mundo com o mesmo bolso. A dona é minha cliente, e amiga e ela fica assustada com isso. E, pelo menos, ela se preocupa. Agora, ela acabou de voltar de Nova Iorque e vai dar palestras pros clientes dela apresentando as tendências de inverno, mas falando a linguagem deles.
Vamos ver se as mentes vão se abrindo, e começamos a ver melhoras na moda carioca.

Um beijo,

gabriela pegurier disse...

Patrícia,
Acredite - eu te entendo mais do que imagina, mas com a sua experiência e o seu olhar...acho que deveria prestar serviços de consultoria. Bole um modelo que não existe e vai batendo de porta em porta. Acredito que há sim uma demanda gigantesca para esse tipo de serviço. Basta adequá-lo e empacotá-lo para que seja entendido pelo prospects. Um olhar crítico para apontar as falhas operacionais e as soluções para essas marcas...Trabalhei nisso 5 anos e adoraria contribuir com vc caso queira trocar idéias.
bj Gabriela gabrielapegurier@uol.com.br

Soraya disse...

Olá, Patrícia. Tudo bem? Sou Soraya, formada pelo Cetiqt e pela Zuzu Angel. Tive o prazer de ser apresentada à você através da também designer de Moda, Louise, sua colaboradora de estampas em seu projeto-site (SantaMistura).

Ao ler o seu post e os comentários dos demais colegas de profissão, me senti humanamente atraída por tecer alguns comentários.

Acreditei durante muito tempo que não teria transtornos em minha escolha, por dois fatores – a “plena tensão” do correr atrás do que eu acreditava e o fato de ter me formado num curso de caráter técnico "Estilismo em Confecção Industrial", o qual me aproximou mais da realidade “dos bastidores de uma confecção”, me moldando à uma profissional pé no chão, conhecedora das limitações reais do mercado fluminense (a princípio) estando pronta para trabalhar para os empresários do setor têxtil dentro das suas perspectivas (por setor têxtil, entende-se: bater na porta de confeccionistas, industriais de malharia, de tecelagens, de aviamentos, órgãos afins ao setor – Sebrae, Senai, Firjan e o que mais a minha imaginação conseguisse alcançar), hajavista que eu não tinha capital inicial para erguer o meu próprio negócio e nem mesmo preparo psicológico para lidar com o binômio sucesso/fracasso (mas com o sucesso do que com o fracasso, eu diria).

Mas o que consigo ver hoje é, que existem pessoas bem intencionadas no mercado o qual estamos inseridos e pessoas não tão bem intencionadas, como existem pessoas que gostam de ter trabalho (lê-se por isto, pessoas conscientes e dispostas ao permanente trabalho interno/externo, sabem que nada que é bom cai do céu. Tudo dá trabalho), em todos os campos de sua vida. Até aí nenhuma novidade, posto que essas mesmas pessoas coabitam em qualquer área de atuação.

Nesses 7 anos de mercado, percebo que, para um profissional consciente de seu papel, um bom profissional, ser absorvido (valorizado, remunerado por tal) em uma empresa, essa terá de estar buscando a mesma coisa que ele: trabalho sério, vontade de crescer (conhecer o novo. Ah!!!! Isso assusta, não é mesmo??) e ética (eis um ponto de questionamento da atualidade; como os demais princípios; que está no meio da roda de discussões de seminários e congressos. Se eu posso organizar um concurso para me valer de 200 criações de um determinado desenvolvimento de produto; por exemplo; uma bolsa, porque eu contrataria uma ou duas pessoas fixas?! A lei é da oferta e da procura. E nesse caso, o mercado é claro, mas não obstante sua ética é posta em dúvida com relação a constantes promoções desse gênero a fim de possibilitar “a oportunidade de novos designers no mercado”) entre outras qualidades listadas que busca um bom profissional.

Ou seja, o que buscamos tem de ir ao encontro com o que o outro busca – no caso, o empresário. E isso é uma busca árdua, quase como uma pesquisa de afinidade empresa-Eu (eu, porque não é só o caráter profissional que está em jogo, mas se a postura da empresa em relação aos funcionários e ao mercado lhe agrada/ é digna da sua admiração).

Para nós, pessoas sensíveis do mercado da moda, conscientes do real papel da Moda, que por sua vez é tão superficialmente explanada e abordada em outras áreas, como a sétima arte; cujo exemplo está em O Diabo veste Prada, é duro de ver que a vida útil de uma empresa de confecção no Brasil, de forma geral, é pequena. Talvez porque as próprias pessoas que compõe o mercado ainda não entenderam que Moda não é só fazer vitrine semanalmente ou mudar a temática de 3 em 3 meses ou olhar para fora. Tem é de se olhar para dentro. Moda é antropologia, sociologia, psicologia, história e progresso. E a pesquisa e o pensar são ferramentas fundamentais. Além de que, não dá para abraçar tudo sozinho, uma hora o braço cansa. O trabalho em equipe é muito bem vindo e necessário.

Patrícia, acredito que o fato de você pensar e agir com o seu blog no sentido de qualificar e levar informações às pessoas, isso é uma senhora contribuição ao verdadeiro legado da Moda. Pesquisar. Saber. Questionar. Ultrapassar o desconhecido.

Parabéns de coração pelo trabalho. E não desanime nunca. Pois há um lugar a espera de sua maestria.

Soraya

santa mistura disse...

soraya querida fiquei até emocionada, louise e todos da santa foi quase como um mágico encontro... o espírito dos designers nos uniu, todos do bem...
o maior problema acho do rio é que o empresário é muito vaidoso e alem de estilista não permite de fato profissionais de perto trabalharem co autonomia... tenho pensado muiiiiito no que fazer, é dificil não pensar em moda, comportamento e produto.... acho que uma hora dessas vou ter outra ieia do que fazer; )) tenho que pensar muito mesmo soraya

Rebeca disse...

Patrícia,
Parabéns pelo post tão sincero. O mercado de moda, como praticamente todos os outros, é muito cruel e, ao mesmo tempo que se fala em futuro, em tendências, toma-se decisões que refletem o passado, esquecendo de itens tão básicos relacionados a qualidade de produtos e pessoas. Mas há uma esperança, pois acredito muito que este é um mercado que ainda engatinha muito e está aprendendo a se profissionalizar. E tropeçando muito pra isso.
O talento de pessoas como você é o que dá a esperança de que este mercado pode mudar, sim. Não deixe sua criatividade encostada e, por favor, continue a compartilhar com a gente esse monte de informações bacanas que vc encontra por aí.
Beijos,
Rebeca

santa mistura disse...

rebeca o blog representa pra mim hoje uma maneira de manifestar o que sinto... ou seja, amo comportamento produto, e assim vou fazendo so posts com carinho, destacando com as imagens as cenas que me marcam, para que todos sintam a mesma emoção... 1 dia também espero que estas emoções estejem nas lojas, ruas e shoppings, com harmonia e estimulando de uma maneira saudavel o consumo... não é mesmo??
bjsssssssss rebeca
; )) patricia

Alessandra Carvalho - Lain disse...

Oi!
É isso aí: não desista mesmo!! transforme, misture, harmonize, mas não desista dos seus objetivos. Estou por aqui lendo sempre que posso. Admiro muito o seu trabalho como fonte de informações. Eu não sou profissional de moda, nem consumidora voraz, mas sou viciada em notícias. E o seu trabalho é gigante. bjs

santa mistura disse...

obrigadaaaaaaaaa alessandra pelo comment, pelas visitas... e espero que o blog sempre traga muitassssssss noticias e novos links que vou descobrindo dia após dia... como vc tembém sou viciada na web rsrsrs

Elisângela /Anjo da Alegria/ disse...

OI Patrícia
Não sei como vim parar aqui, deve ter sido, clicando e clicando, mas logo de cara me apaixonei por seu blog e te visito quase todos os dias.
Sou Programadora Visual formada pelo politécnico da Estácio em Design Grafico. Mas o que eu queria mesmo ser é Fashion Designer.
Tenho pensado muito em laçar uma marca, Anjo da Alegria, umas roupas divertidas, estampas alegres...essas coisas.
Mas tenho percebido o quanto é difícil, esse domingo estive no Bazar Noir e fui bater papo com alguns expositores, e quase todos falavam a mesma coisa, que e difícil, mas se não tentar não vai saber como é, não vai experimentar.
Estou procurando algum curso na área de moda para ter alguma visão técnica, não só a de observadora.designer.filha-de-costureira.
Seu blog tem me ajudado muito. Obrigada.

santa mistura disse...

nElisangela eu amava os trabalhos e exposições de designer grágfico da estácio, é muito bom o curso, acho que está realmente entre os melhores, o coordenador do curso foi professor do meu irmão a mais de 20 anos na faculdade da lagoa.... acho ele o máximo. Realamente o começo é bem dificil porque os volumes mínimos é muito para quem está começando... fico as vezes pensando em qual seria a solução, se existisse um consorcio poderia ser comprada uma impressoa tipo hot stamp para camisetas assim cada um ia fazendo sua estampas com um volume de produção pequena por ilustração, a outra alternativa e descobrir uma imagem chave e atraves da costumização, vc diversificaria a coleção, ou seja, ingimentos, apliques, interferencias diversas... anjo é legal é um mensageiro sempre... protege... talvez vc não precise definir que tipo de anjo é ... da alegria o que talvez desperte uma curiosidade em quem escuta o nome pela primeira vez... como designer gráfica vc pode brincar muiiiiito com este nome e com certeza vai criar coisas incríveis.... bem fico aqui na torcida para vc tomar coragem e começar viu?? tendo novidades me escreva tà?
bjssss e obrigada pelas visitas frequentes ; ))

Ana Castilhos disse...

Não desista amiga!! Seu lugar ao sol está reservado e mais que iluminado... acredite e confie!
Seu trabalho/blog nos alimenta, não nos deixe com fome!! :)
Sou sua fã sempre!
sucesso infinito!
bjooos
ps: rsrs... um comentário um tanto teatral mas totalmente verdadeiro.

santa mistura disse...

ana sabe a musica do chico... tem dias que agente se senteeeeee como quem partiu ou morreu rsrsrs pois é as vezes aflora uma uma decepção total com este mercado de moda, hoje mesmo minha irmã me ligou do shopping e me dizia que ela estava agora conseguindo ver o que eu digo do kaos total... a tanta coisa pra fazer né?? que agente se recarrega com os amigos e para mim o blog também me recarrega, sobretudo quando recebo os commentsssssss e vc minha amiga jamais será teatral vc é um ser emocioanl completo que transporta sua boa energia para as pinturas, enfim sou sua fã de carteirinha e acho que vc sabe disso né??